sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Megami Tensei - O JRPG demoníaco


Na era do Snes até o PS2, tinha JRPGs a dar com pau, milhares de joguinhos longos com histórias maneiras e sistema de batalhas estranhos, mas que certamente tinham bastante espaço no cenário de games ocidental.

A maioria era com temática medieval e acabavam sendo esquecidos, outros tinham ideias diferentes mas acabaram não sendo tão populares, mas se a gente já enjoava de tanto JRPG aqui, imagina no Japão, o nome do gênero não é Japanese Role-Playing Game de sacanagem, né?

Infelizmente perdemos muita coisa foda, mas algumas conseguiram se estabelecer depois, como a série que falarei hoje: Megami Tensei, carinhosamente apelidada de MegaTen.


Começando pelo começo. Digital Devil Story: Megami Tensei é um JRPG com batalha por turnos do Famicom (conhecido como Nintendo, mas essa porra não saiu no Ocidente) que adapta um livro chamado Digital Devil Story, o primeiro livro de uma trilogia sobre uma história de demônios digitais, entende?

Provavelmente não. Basicamente é um Pokémon do Diabo, só que ao invés de Pokémons são demônios, que são seres mitológicos que vão desde fadas até o Pazuzu, e dá para invocá-los para a porrada e fusioná-los para conseguir demônios mais fortes, sim, dá pra fazer fusão entre um espírito hindu com um cavalo fantasma e conseguir uma felina.Você armazena seus demônios em um programa que geralmente fica numa espécie de computador-relógio, daí que vem o "Digital Devil", que coisa não?

Outra diferença de MegaTen, é que você tem que convencer os demônios a se tornarem seus aliados, não precisa dar porrada até o bicho desmaiar e depois escravizá-lo, só bater um papo maneiro sobre assuntos diversos, mas não é algo tão fácil, cada demônio tem uma personalidade diferente e pode se irritar e partir pra porrada só por ouvir algo que não quer, ou ficar com medo e fugir.


Dá pra bater papo até sobre carne.

Então o jogo teve uma sequência pro NES, Megami Tensei II, e outra pra SNES chamada Shin Megami Tensei, ambos os jogos não eram mais adaptações dos livros, e sim novas histórias criadas pela desenvolvedora Atlus, que "aproveita" muito bem a franquia, lançou um monte de spin-off, a maioria ainda sendo JRPG com batalhas por turno. O mais conhecido desses é Persona, que teve spin-off pra cacete, tipo jogo de luta e jogo de dança... É, Persona é quase uma série separada de MegaTen, e será abordada outra hora.



Cada Shin Megami Tensei tem um enredo diferente e com pouca relação com os outros, alguns até são continuações diretas, mas não funcionam bem como um jogo separado. Daria pra estabelecer uma linha do tempo com todos os jogos da série, é até compreensível, mas sempre tem algum caso que não fica bem estabelecido.

Em SMT, você sempre controla o "protagonista silencioso", geralmente com um nome padrão, mas que dá pra mudar, e a história é moldada pelas suas escolhas, não é algo tão livre como WRPGS tipo Fallout, o foco do jogo é você avançar a trama e escolher um lado da treta padrão, que é entre o Caos, geralmente o lado de Lúcifer e dos demônios, que desejam um mundo livre em que mais forte reinará, Ordem (Law), lado dos anjos e seres celestiais, que desejam tornar o mundo um lugar "organizado" com pessoas sem livre arbítrio, e o Neutro(Neutral), um caminho geralmente criado pelo protagonista que foca em manter um meio termo entre os dois lados.

Escolhendo o seu lado na trama faz com que você enfrente inimigos diferentes e até pessoas do seu time que te abandonaram devido ideais opostos, tanto que se você escolher o lado neutro, você terá que enfrentar mais gente e será mais difícil.

Os jogos de Shin Megami Tensei, sempre tem uma atmosfera "apocalíptica" devido a história, a Ordem e o Caos estão brigando para decidir que vai dominar o mundo após o fim da humanidade, você é um zé qualquer que conseguiu se envolver nessa treta cabulosa e virou uma importante parte disso, dá pra ver que suas ações, por mais que limitadas, fazem diferença no desenvolver da trama.



Esse é Satan, e sim, Satan tem 6 tetas...

Dialogar com os demônios e fazer as fusões, é divertido pra caralho, e adiciona muito mais no combate do jogo, que aliás, é difícil, tem que ficar ligado em muitas batalhas, principalmente contra chefes, qualquer erro pode ser fatal e fuder com tudo.

Visualmente, a maioria dos jogos não são lá essas coisas, mas a estética, design dos personagens e demônios é foda, e junto da trilha sonora sensacional, conseguem criar a atmosfera ideal do mundo explorado e dos combates tensos.

Jack Frost é um demônio carismático que acabou se tornando mascote da Atlus.
São 6 jogos da linha principal Shin Megami Tensei, eles são:


Shin Megami Tensei I e II

A trama de SMT I acompanha a história de um adolescente preso em Tóquio que está sendo invadida por demônios, depois o protagonista e seus amigos são mandados para o futuro onde a humanidade se fudeu e tem duas ceitas disputando pelo controle do mundo e da ideologia de suas divindades.

O SMT II é uma sequência onde mostra que o mundo continuou na merda, o personagem principal é cara com amnésia que vai descobrir que é destinado a ser o Messias daquela era.

Os dois SMTs são bem "arcaicos", similares aos primeiros rpgs do NES, bastante texto, pouca animações, gráficos simples, algumas coisas meio foda-se como não explicar muito bem os sistemas, nem a utilidade das magias e itens. Hoje em dia eles estão disponíveis para iOS e Android(a versão de Android só tem em japonês), que são ports das versões de GBA e infelizmente não joguei pra dizer se é muito melhor se comparada as versões originais de Super Nintendo.


Shin Megami Tensei: Nocturne

Originalmente lançado pra PS2 no Japão como Shin Megami Tensei III, foi o primeiro SMT da "mainline" lançado no Ocidente, graças a isso recebeu o subtítulo "Nocturne". A trama acompanha a história de um jovem que sobreviveu ao "fim do mundo" e é transformado num "meio demônio" que chamam de Demi-Fiend, agora o mundo está num momento de "reboot" e seu objetivo é passar por essa desgraça toda e escolher como o mundo renascerá.

Ao contrário dos outros SMT, ele tem perspectiva em terceira pessoa e modelos dos personagens e demônios são em 3D, os gráficos são bacanas e a estética é legal, o sistema de combate é básico mais funciona muito bem, é difícil na medida certa e tem a participação do Dante do Devil May Cry (tem isso até na capa da parada). E claro, a trilha sonora é foda.


Shin Megami Tensei: Strange Journey

SMT que começou a tradição de lançar os jogos principais de SMT para o portátil, dessa vez foi no DS, é um jogo parecido com os primeiros, tem exploração e combate em primeira pessoa e gráficos são bem simples. O enredo é acompanha você, um cara que faz parte de uma equipe "militar" que vai investigar uma distorção no espaço-tempo que apareceu na Antártida, lá você descobre os demônios e entra em mais uma treta cabulosa.

Strange Journey é um RPG bem comum, mas é divertido, tem um sistema de combate legal e uma atmosfera bem tensa, principalmente por causa da música


Shin Megami Tensei IV e Apocalypse

Seguindo o bonde do Strange Journey, SMT IV foi lançado para 3DS, o jogo se passa no Reino de Mikado, um lugar meio Japão medieval, você é um samurai com o nome padrão de Flynn, que protege esse reino de ameaças demoníacas, quando em um desses casos, Flynn e seus companheiros descobrem um segredo em relação ao mundo que vocês vivem e o além disso. 

Shin Megami Tensei: Apocalypse é uma sequência direta do IV, onde o mundo deu ruim e a humanidade vive à mercê de anjos e demônios. Você controla Nanashi, um caçador de demônios que morreu e foi ressuscitado por Dagda, deus supremo da mitologia celta, que vai te usar como um servo pra um grande plano misterioso.

Infelizmente não joguei nenhum dos dois jogos (AINDA), mas a parte do visual e a trilha sonora estão boas, por mais que os combates ainda sejam em primeira pessoa e os sprite não tenham animações, na parte de exploração é em terceira pessoa e com os personagens em modelos 3D, além disso, alguns designs dos demônios foram mudados e a maioria ficou legal, mas isso é discutível.




Bom, é isso aí. Texto grande da porra, espero que tenham gostado.

No futuro pretendo falar mais de MegaTen, acho uma série foda demais e até que pouco desconhecida por aqui, espero que após Persona 5, a Atlus decida fazer um jogo de Shin Megami Tensei para os consoles, por mais que portáteis sejam bons pra JRPGs, SMT merecia um jogo gigantesco com gráficos fodas para a geração atual.

Enquanto isso não acontece, vão atrás de qualquer jogo da série, até quem não é fã de JRPG, Shin Megami Tensei me fez gostar desse estilo de jogo, caso não gostar da jogabilidade, dá pra apreciar os outros aspectos dessa franquia foda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário